O termo “fake news” se refere a notícias ou informações falsas, divulgadas principalmente em redes sociais, que muitas vezes envolvem celebridades ou personalidades importantes.
O compartilhamento de informações falsas pode ter grandes consequências, especialmente por se espalharem rapidamente, havendo casos de pessoas que foram agredidas e até mesmo mortas por serem confundidas com supostos criminosos, em decorrência de notícias falsas.
Ademais, a divulgação de fake news não é um problema recente. Em relatório divulgado em 2018 pelo Reuters Institute, apresentando o resultado de pesquisa realizada em 37 países, o Brasil figurava como o terceiro país com maior consumo de notícias falsas, estando atrás apenas da Turquia e do México (1).
Este alto consumo de fake news pelos brasileiros foi confirmado em pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado em junho de 2024, com pessoas de todas as regiões do país. Verificou-se que 72% dos usuários de redes sociais viram notícias que desconfiam serem falsas nos últimos seis meses (2).
Ao serem questionados sobre o nível de dificuldade para identificarem se uma notícia é falsa ou não, 50% dos brasileiros que participaram da pesquisa afirmaram considerar difícil separar notícias falsas de verdadeiras.
As fake news também são muito comuns em períodos eleitorais. Na pesquisa em questão, 81% das pessoas afirmaram acreditar que a disseminação de notícias falsas pode impactar muito o resultado das eleições, e 78% dos entrevistados afirmaram considerar muito importante o controle das notícias falsas nas redes sociais.
Nesse sentido, destaca-se a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no enfrentamento às notícias falsas, como, por exemplo, através da obrigação de aviso sobre utilização de inteligência artificial na propaganda eleitoral, da restrição do emprego de robôs, e da disponibilização de sistema de denúncia de conteúdos enganosos à Justiça Eleitoral.
Destaca-se, ainda, que a divulgação de fake news não se restringe às redes sociais. Em setembro deste ano, a Polícia Federal prendeu quatro homens suspeitos de participarem de esquema de propagação de informações falsas sobre candidatos em campanhas eleitorais para a Prefeitura no Rio de Janeiro (3).
Segundo as investigações, a quadrilha atuava desde 2016, influenciando em ao menos três eleições em 16 municípios do Rio de Janeiro. A atuação da quadrilha envolvia a contratação de pessoas para se infiltrarem em locais públicos com aglomerações de pessoas, como pontos de ônibus, filas de bancos, bares e mercados, para difundir informações falsas sobre adversários políticos.
Uma forma eficaz de se proteger de informações falsas é a utilização das plataformas de Agências de Checagem, que realizam o chamado “fact-checking” ou checagem de fatos, verificando as principais informações e notícias que estão sendo compartilhadas nas redes sociais, e prestando informações fundamentadas sobre a veracidade ou não destas.
As Agências de Checagem podem ser facilmente acessadas por qualquer cidadão na internet, permitindo que se verifique a veracidade da informação antes de compartilhá-la com terceiros.
Por Carla Martins de Oliveira.
REFERÊNCIAS:
(1) Disponível em: https://forbes.com.br/listas/2018/06/12-paises-com-maior-exposicao-a-fake-news/
(2) Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/publicacaodatasenado?id=pesquisa-datasenado-revela-o-que-pensa-o-brasileiro-sobre-fake-new
(3) Disponível em:
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2024/noticia/2024/09/12/policia-federal-faz-operacao-no-rio-contra-quadrilha-que-produzia-fake-news-em-eleicoes.ghtml