Ribeiro Cury

OS JOGOS OLÍMPICOS E A EQUIDADE DE GÊNERO ENTRE ATLETAS

Nesta sexta-feira, 26 de julho de 2024, ocorre a abertura da 33ª edição dos Jogos Olímpicos, que será sediada em Paris, capital da França, e seguirá até o dia 11 de agosto. Ao todo, serão 10.500 atletas em mais de 48 modalidades, incluindo os esportes estreantes – breaking e caiaque extremo.

O Brasil estará representado em 39 modalidades por 276 atletas, sendo 153 mulheres, dentre elas as medalhistas das Olimpíadas de Tóquio, Rayssa Leal (skate street), Rebeca Andrade (ginástica artística), Ana Marcela Cunha (maratona aquática) e Beatriz Ferreira (boxe).

Trata-se da primeira vez na história em que mulheres serão maioria na delegação brasileira, representando 55% do total de atletas.

No mesmo sentido, será a primeira vez em que as Olimpíadas terão participação igualitária de homens e mulheres, sendo 5.250 atletas de cada gênero.

Isso é fruto do esforço do Comitê Olímpico Internacional (COI), em parceria com as federações internacionais e com o Comitê Organizador Local Paris-2024, que tomaram uma série de iniciativas para equilibrar o número de competidores homens e mulheres.

Curiosamente, a primeira vez em que mulheres puderam competir nas Olimpíadas ocorreu justamente em Paris, em 1990, ocasião em que representaram apenas 2,2% do total de atletas, pois somente podiam competir em determinadas modalidades.

A disparidade de gênero nos primeiros Jogos Olímpicos impulsionou movimentos em prol de mais mulheres nos esportes e cobrando investimentos no esporte feminino.

Em 2007, foi elaborado o novo Estatuto do COI, também chamado de Carta Olímpica. Uma das missões assumidas pelo Comitê foi “encorajar e apoiar a promoção das mulheres no esporte em todos os níveis e estruturas com vista à aplicação do princípio da igualdade entre homens e mulheres”.

Os resultados destes esforços já começaram a ser vistos em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres, quando, pela primeira vez, todos os comitês enviaram mulheres atletas em suas delegações, e todos os esportes tiveram mulheres competidoras.

Já nas Olimpíadas de Tóquio de 2021, quase foi possível alcançar a equidade de gênero, visto que 49% dos atletas reunidos eram mulheres, e 51% eram homens. Agora, nos Jogos Olímpicos de Paris, a paridade de gênero será alcançada.

Isso, porém, é apenas o começo da luta das mulheres no esporte.

Um exemplo clássico de sexismo diz respeito à desproporcionalidade do salário entre homens e mulheres, o que também se verifica no esporte.

A título de exemplo, a jogadora Marta, que já ganhou o prêmio de melhor jogadora do mundo por seis vezes, recebe um salário anual aproximado de 400 mil dólares na liga norte-americana pelo Orlando Pride. Em contrapartida, Neymar fatura 80 milhões de dólares por ano no Al Hilal, segundo levantamento da Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo de 2024, que não incluiu nenhuma mulher.

Essa disparidade não existe apenas dentro de campo. O mesmo levantamento da Forbes demonstra que Neymar recebeu certa de 28 milhões de dólares fora de campo em 2024, com contratos de patrocínio, por exemplo.

A diferença no patrocínio de homens e mulheres já foi trazida à tona pela própria Marta, que jogou a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019 sem qualquer patrocínio, afirmando que as propostas oferecidas não tinham valores justos, e optando por jogar sem patrocinadores como forma de protesto contra a desigualdade entre homens e mulheres no futebol.

Assim, apesar do grande passo em relação à paridade de gênero nas Olímpiadas de 2024, as mulheres no esporte ainda são discriminadas, recebem salários mais baixos que homens, carecem de patrocínio, entre outras adversidades. Há uma longa caminhada pela frente até conseguir afirmar que existe de fato igualdade de gênero nos esportes olímpicos.

Por Carla Martins de Oliveira.