Ribeiro Cury

COP30 EM BELÉM: AVANÇOS PONTUAIS E MOBILIZAÇÃO POPULAR

Neste mês de novembro de 2025, ocorreu a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) em Belém do Pará, reunindo líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas.

Os principais temas em debate na COP30 incluíam a redução de emissões de gases de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, financiamento climático para países em desenvolvimento, tecnologias de energia renovável, preservação de florestas e biodiversidade, e justiça climática.

A COP30 chegou ao fim com a aprovação do “Pacote de Belém” pelos 195 países que participaram do evento. Ele abrange 29 documentos, destacando-se, dentre eles, o Plano de Ação de Gênero (GAP), que visa fortalecer o compromisso com a ação climática sensível a gênero e promover a liderança de mulheres defensoras ambientais, especialmente indígenas, de pequenas ilhas e de regiões afetadas por conflitos.

Esta também foi a primeira COP a ampliar a discussão climática para os ecossistemas marinhos, com a “Belém Ocean Declaration”, que reconhece oceanos e florestas como pilares gêmeos da estabilidade planetária e de um futuro sustentável.

Em contrapartida, não houve consenso global em torno da proposta de estabelecer um Mapa do Caminho (roadmap) para um mundo sem combustíveis fósseis, apesar das graves denúncias dos cientistas de que o planeta está ultrapassando o limite de aumento de 1,5ºC fixado no Acordo de Paris. Cerca de 80 países apoiaram a construção do roadmap, porém as negociações foram frustradas por países dependentes do petróleo, como Arábia Saudita e Índia.

Assim, os avanços da COP30 foram pontuais e não fazem jus à urgência climática.

Por outro lado, ficou em evidência a mobilização popular realizada durante a COP30, como a Marcha Global pelo Clima, organizada por integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, com a presença de pelo menos 70 mil pessoas, incluindo movimentos sociais, povos indígenas, ribeirinhos e moradores de periferias urbanas, que sofrem os maiores impactos da degradação ambiental.

Dentre as principais reivindicações da Marcha, destaca-se a necessidade de “proteger quem protege a floresta”, com o financiamento direto para as populações que vivem na floresta amazônica, além das denúncias à exploração de petróleo na Amazônia e a proliferação dos combustíveis fósseis no mundo.

Como próximos passos, é importante seguir com a construção de acordos paralelos à COP, apenas com os estados dispostos a cooperar, como foi proposto pela Colômbia e Países Baixos, que anunciaram a realização de uma conferência paralela em 2026, para discutir uma transição que se afaste dos combustíveis fósseis. Além disso, a valorização da agroecologia e da produção de base comunitária, e a luta por uma transição justa, inclusiva e popular, são essenciais para o enfrentamento à crise climática.

Por Carla Martins de Oliveira.

 

Fontes:

“GAP – Plano de Ação de Gênero: o que está em jogo para mulheres na COP 30.” ONU Mulheres. Publicado em 06/11/2025. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/noticias/gap-plano-de-acao-de-genero-o-que-esta-em-jogo-para-mulheres-na-cop-30/.

“COP30: Nem mapa, nem caminho.” Outras Palavras. Publicado em 24/11/2025. Disponível em: https://outraspalavras.net/terraeantropoceno/cop30-nem-mapa-nem-caminho/.

“Segura o céu: o legado positivo da COP30.” Jornal do Veneno. Juliana Gomes. Publicado em 22/11/2025. Disponível em: https://substack.com/home/post/p-179503142.