Ribeiro Cury

OS JOGOS PARALÍMPICOS E SUA IMPORTÂNCIA EM RELAÇÃO A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Desde o dia 28 de agosto de 2024 estão acontecendo os Jogos Paralímpicos em Paris. O evento ocorre pouco tempo depois dos Jogos Olímpicos, no mesmo país e busca promover a inclusão, igualdade de pessoas com algum tipo de deficiência.

Os Jogos Paralímpicos tiveram início para auxiliar ex-militares e civis feridos durante a Segunda Guerra Mundial. O médico Ludwig Guttman utilizava o esporte na reabilitação física de pacientes e promoveu os Jogos de Stoke Mandeville, envolvendo os pacientes de um hospital, sendo a maioria ex-militares e civis feridos pela Guerra.

O médico continuou organizando as competições durante anos, até que em 1953 ex-militares holandeses se juntaram aos jogos, marcando a primeira competição internacional para pessoas com deficiência.

Mais tarde, em 1960, em Roma (Itália) o evento cresceu, dando origem aos Jogos Paralímpicos. Na primeira edição dos Jogos, participaram 400 atletas de 23 países.

Desde então as modalidades e a quantidade de atletas paralímpicos vêm crescendo cada vez mais. Esse crescente interesse foi um dos motivos para fundação do Comitê Paralímpico Internacional (CPI), que lidera o movimento paralímpico, supervisiona os jogos e apoia os membros, contribuindo para promover a igualdade e o alto rendimento dos atletas.

Em 2024 serão cerca de 4.400 atletas e 22 modalidades a serem disputadas. Apenas do Brasil foram 276 competidores.

Nesse sentido, é possível perceber que as paralimpíadas têm um impacto que vai muito além de promover o esporte, como também de promover a inclusão social e a mudança de percepção em relação a pessoas com deficiência.

Os jogos paralímpicos vão ao encontro com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015).

O Estatuto também conhecido como Lei de Inclusão (LBI) assegura o direito à igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência e visa que essas pessoas participem de forma ativa na sociedade.

Essa Lei possui dispositivos que garantem que toda pessoa com deficiência tenha direito ao acesso à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer.

Dessa forma, o poder público fica obrigado a adotar soluções que eliminem e/ou reduzam as barreiras para a promoção do acesso a cultura e ao esporte, promovendo a acessibilidade das pessoas com deficiência.

Nesse sentido, os Jogos Paralímpicos são um grande exemplo de aplicabilidade dessa Lei, o Brasil evolui constantemente na competição, demonstrando seu compromisso com o esporte e a inclusão de pessoas com deficiência, sendo uma das principais potências paralímpicas do mundo.

É claro que a inclusão de pessoas com deficiência em nosso país precisa evoluir, principalmente em pontos como saúde, acessibilidade e educação.

Nesse sentido, os Jogos Paralímpicos demonstram a cada dia que passa que as políticas para inclusão das pessoas com deficiência no esporte têm melhorado e que a Lei de Inclusão vem sendo aplicada de forma efetiva.

Além disso as Paralimpíadas têm grande importância pois auxiliam a reforçar a importância de debates sobre a inclusão das pessoas com deficiência em diferentes âmbitos da sociedade e não apenas no esporte, possibilitando que essas pessoas tenham cada vez mais voz dentro da sociedade.

Concluindo, os Jogos Paralimpícos vão muito além da divulgação esportiva, tendo também o intuito de promover a inclusão social, bem como a melhoria de políticas públicas que promovem a acessibilidade de pessoas que têm algum tipo de deficiência.

O Brasil atualmente encontra-se no top 10 das últimas edições dos Jogos, se tornando uma das principais potências do mundo, demonstrando que tem apoiado as pessoas com deficiência e sua inclusão dentro do esporte brasileiro, promovendo a efetividade do Estatuto da Pessoa com deficiência para diminuir as barreiras impostas pela sociedade a essas pessoas.

Lado outro, embora o incentivo esportivo esteja em alta, não podemos nos esquecer da inclusão nos demais âmbitos da sociedade, como educação, política, saúde, entre outros, e devemos lutar para que os direitos das pessoas com deficiência sejam respeitados.

Por Luiza G.D.V de Azevedo