O dia 1º de maio é mundialmente conhecido como o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, data que carrega uma história de lutas, reivindicações e conquistas que moldaram as relações de trabalho como as conhecemos hoje. Compreender a origem deste dia e as vitórias alcançadas pelos(as) trabalhadores(as) ao longo do tempo é fundamental para valorizar os direitos existentes e reconhecer a importância da mobilização contínua.
A história deste feriado remonta a 1886, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Em 1º de maio daquele ano, trabalhadores americanos fizeram greve e foram às ruas para reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, em um contexto em que eram comuns jornadas exaustivas de 14 horas ou mais.
O protesto em Chicago culminou na Revolta de Haymarket, alguns dias depois, com violência policial e prisão de líderes anarquistas, que foram condenados à pena de morte. Eles ficaram conhecidos como os “Mártires de Haymarket” e são lembrados como símbolos de resistência e de luta por melhores condições de trabalho.
Alguns anos depois, em 1889, em Paris, a Segunda Internacional Socialista decidiu convocar manifestações para o dia 1º de maio, em homenagem aos trabalhadores de Chicago e para estimular a luta pela jornada de 8 horas em todo o mundo. Assim, o 1º de maio se tornou um símbolo internacional da luta por direitos trabalhistas.
No Brasil, o 1º de maio foi oficializado como feriado nacional em 1924, por meio de um decreto do então presidente Artur Bernardes, com o intuito de tornar a data uma confraternização e conter protestos e reivindicações sindicais.
A data ganhou força durante os governos de Getúlio Vargas, que utilizava o 1º de maio para anunciar leis trabalhistas, como o novo salário mínimo em 1940 e a criação da Justiça do Trabalho em 1941. Em 1º de maio de 1943, foi assinada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unificou a legislação trabalhista no país. Essa ação, embora representasse avanços, também ocorreu em um contexto de controle do movimento sindical durante a ditadura do Estado Novo.
Após o golpe cívico-militar de 1964, as comemorações de 1º de maio foram suprimidas, o que não impediu que, em 1968, ocorresse uma manifestação na Praça da Sé com cerca de 20 mil pessoas.
A data segue sendo marcada por greves e enfrentamentos. Em 2025, o ato de 1º de maio, que em São Paulo será na Avenida Paulista, terá como principais reivindicações a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais e o fim da escala 6×1, que prevê apenas uma folga semanal. Além disso, está prevista uma greve geral para o dia 2 de maio, com o objetivo de pressionar por mudanças nas condições de trabalho.
Referidas reivindicações são objeto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, elaborada pela Deputada Federal Erika Hilton (PSOL-SP), e que atualmente aguarda despacho do Presidente da Câmara dos Deputados.
A PEC visa alterar o inciso XIII do art. 7º da Constituição Federal, para que passe a prever que a duração do trabalho não seja superior a 36 horas semanais, em consonância com as reivindicações de trabalhadores(as), que desejam ter mais tempo para a família e lazer, para ter uma vida digna e saudável, e até mesmo para estudar e obter maior qualificação profissional.
A história do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora nos lembra que os direitos trabalhistas não foram concessões gratuitas, mas sim o resultado de muita organização e mobilização. Mesmo com as conquistas, a luta por melhores condições de trabalho e pela garantia dos direitos continua sendo fundamental, especialmente em um cenário de constantes desafios e tentativas de flexibilização ou retirada de direitos.
O 1º de maio, portanto, é um dia para rememorar o passado de lutas, celebrar as conquistas alcançadas e reafirmar a necessidade de união e mobilização para garantir um futuro com mais justiça social e direitos para todos os trabalhadores e trabalhadoras.
Por Carla Martins de Oliveira.