Ribeiro Cury

FENALAW 2025: Inovação, Inteligência Artificial e o Futuro do Direito

Entre os dias 22 e 24 de outubro, São Paulo recebe mais uma edição da FENALAW, o maior e mais completo congresso jurídico da América Latina. Realizado no Centro de Convenções Frei Caneca, o evento chega à sua 22ª edição consolidado como ponto de encontro entre profissionais do direito, gestores, acadêmicos e empresas que atuam na interseção entre a advocacia e a inovação. Com o tema “Inovação e Conexão no Ecossistema Jurídico”, a Fenalaw 2025 reafirma seu papel como espaço de reflexão e troca sobre o presente e o futuro da profissão jurídica.

O evento deste ano destaca a transformação digital que permeia o universo jurídico e a ascensão da inteligência artificial (IA) como protagonista nesse cenário. Se antes as discussões giravam em torno da automação de tarefas simples e da informatização dos processos judiciais, agora o debate alcança novas dimensões: fala-se em chatbots jurídicos, revisão automatizada de contratos e até mesmo em sistemas capazes de auxiliar na tomada de decisão estratégica. A IA não é mais uma promessa distante, mas uma realidade concreta que desafia escritórios e departamentos jurídicos a repensarem seus modelos de trabalho, gestão e entrega de valor.

A Fenalaw é um reflexo direto dessas mudanças. Ao longo dos três dias de programação, dezenas de painéis e palestras reúnem especialistas que discutem como a tecnologia pode otimizar o cotidiano da advocacia, reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.

A área de exposição, com mais de 150 marcas nacionais e internacionais, transforma-se em uma verdadeira vitrine de soluções tecnológicas voltadas ao setor. Lawtechs, startups e grandes empresas de software jurídico apresentam ferramentas baseadas em IA capazes de automatizar etapas inteiras do fluxo jurídico, como o acompanhamento processual, a gestão documental e o compliance.

A Fenalaw, além de uma feira tecnológica, é um espaço de encontro intelectual, em que ideias, experiências e inquietações se misturam. Profissionais de diferentes regiões do país trocam experiências sobre desafios comuns, como a incorporação de novas tecnologias em estruturas tradicionais, o equilíbrio entre automação e personalização no atendimento ao cliente, e as implicações éticas do uso da IA em atividades jurídicas.

A inteligência artificial, sem dúvida, ocupa o centro das atenções. Sua presença no universo jurídico é tema de diversos debates e apresentações nesta edição. Especialistas discutem como os algoritmos de aprendizado de máquina podem auxiliar na previsão de resultados de processos, na detecção de padrões em decisões judiciais e na identificação de riscos contratuais.

Diversas empresas demonstram softwares capazes de revisar documentos em minutos e apontar inconsistências que poderiam passar despercebidas por revisões humanas. Tudo isso levanta discussões sobre a responsabilidade, a confiabilidade e a ética no uso dessas tecnologias. Afinal, por mais que a IA possa ampliar a eficiência, é essencial lembrar que o direito lida com pessoas, e decisões jurídicas têm impacto direto sobre vidas. A tecnologia deve ser vista como ferramenta de apoio, e não como substituto do raciocínio jurídico e da sensibilidade humana.

Outro ponto interessante é a presença de iniciativas voltadas ao reconhecimento de boas práticas e à valorização da inovação. O Prêmio Análise DNA + Fenalaw 2025, por exemplo, destaca projetos que aplicam inteligência artificial e práticas de legal operations com impacto real no mercado. Escritórios e departamentos jurídicos têm a chance de mostrar como vêm modernizando suas rotinas, e as empresas de tecnologia podem demonstrar na prática o potencial de suas soluções. O resultado é um ecossistema em constante evolução, no qual a colaboração se torna a chave para o progresso.

O congresso também proporciona um olhar estratégico sobre a gestão jurídica moderna. Questões como eficiência operacional, precificação de honorários, marketing jurídico e cultura organizacional estão presentes nas discussões. Cada painel é uma oportunidade para refletir sobre como tornar o serviço jurídico mais sustentável e alinhado às demandas do século XXI.

Atualmente, mais do que dominar leis e processos, o novo advogado precisa compreender tecnologia, dados e gestão. A inteligência artificial, longe de ser uma ameaça, pode ser um instrumento poderoso para elevar o padrão do serviço jurídico, desde que usada com critério e propósito.

A participação da inteligência artificial na FENALAW evidencia um momento de profunda transformação no universo jurídico. O evento, que há anos se consolida como o maior congresso jurídico da América Latina, mostrou que o futuro da advocacia já está em curso e passa, inevitavelmente, pela tecnologia. As discussões e painéis demonstraram que a IA não é uma ameaça à atuação humana, mas sim uma ferramenta estratégica capaz de otimizar tarefas, ampliar a eficiência dos escritórios e tornar o acesso à justiça mais ágil e inteligente.

A presença de soluções tecnológicas voltadas à automação de rotinas, análise preditiva de decisões judiciais e gestão inteligente de processos reforçou que o profissional do direito do século XXI precisa desenvolver competências digitais, aliadas à capacidade crítica e à sensibilidade jurídica. Assim, a advocacia caminha para um modelo mais analítico, estratégico e inovador, em que o uso ético e responsável da inteligência artificial se torna diferencial competitivo e compromisso com a evolução da própria justiça.

Em síntese, a FENALAW reafirmou que a IA veio para somar, impulsionando uma advocacia mais moderna, eficiente e conectada às demandas de um mundo em constante transformação, sem substituir o olhar humano que dá sentido e legitimidade ao Direito.

Por Amanda Pilla Brambila